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A Trafaria é uma das mais belas freguesias do concelho de Almada, situada na margem esquerda do rio Tejo, entre o Bico da Calha e o Portinho da Costa, com uma área aproximada de 5,75 km2 e cerca de 10.000 habitantes. Foi criada pelo decreto nº 12 432 de 7 de Outubro de 1926 como unidade administrativa independente e elevada a Vila pela Lei nº 69/85 de 26 de Setembro, aprovada a 9 de Julho de 1985.
Já neste período, a Freguesia dispunha dos seguintes equipamentos colectivos: uma farmácia, um cinema (hoje inexistente), infantários, escolas primárias, uma escola preparatória, um grupo de teatro, diversas colectividades, uma estação dos CTT, a Delegação Marítima, uma cooperativa de consumo, transportes rodoviários e fluviais, estabelecimentos hoteleiros e de comércio.
No entanto, na sua origem esteve um pequeno aglomerado de pescadores, sendo ainda hoje a pesca uma das principais ocupações e actividades económicas da população da Trafaria, ponto de referência da economia local que urge dignificar.
A História relata que a 23 de Janeiro de 1777, ano de má memória, o Marquês de Pombal mandou incendiar esta pequena povoação de pescadores para castigo dos seus habitantes, já que, tendo havido necessidade de aumentar os contingentes do exército nacional, mandara fazer recrutamento, ao qual se tinham oposto muitos mancebos e refractários que, segundo constou, se teriam albergado na Trafaria. Esta foi a resposta encontrada para aqueles que tinham ousado desagradar o omnipotente ministro de D. José.
O executor da terrível sentença foi Pina Manique, que tinha por missão fazer ingressar nas fileiras militares os que de lá fossem fugindo. No entanto, a povoação foi reconstruída.
A Freguesia encontra-se próxima de grandes centros urbanos como Almada e Costa da Caparica, tendo como característica o facto de ser um misto de freguesia urbana e rural.
Como património cultural e edificado possui um Coreto, um monumento ao Padre Baltazar, um monumento ao Militar, uma Igreja Matriz, a capela de N. S. da Conceição e a Igreja de S. Pedro. Existem ainda vários fortes incluídos no conjunto defensivo da barra – Alpena 1 e 2 e Raposeira 1 e 2.
São ainda de grande interesse turístico os restaurantes existentes e a gastronomia, cujo manjar principal é a conhecida caldeirada de marisco, bem como o artesanato de peças de madeira (miniaturas), cerâmica, trabalhos em vitral e conchas. A estes saberes se associam as praias (frente de praias desde o Torrão a S. João da Caparica) com amplo areal e uma vasta superfície de matas que poderá e deverá ser potenciada para o recreio e lazer.
A nível ambiental muito está por fazer para cuidarmos da nossa Freguesia, contando com a população para a preservação e limpeza dos espaços públicos e das áreas verdes existentes ao longo da Freguesia. É urgente preservarmos o nosso Planeta e cabe-nos a nós cuidar da pequena mancha cuja referência é o nosso território, mudando mentalidades no sentido de termos uma freguesia cada dia mais limpa.
Necessitamos de um programa permanente de limpeza e recolha de lixos na Freguesia, utilizando os meios de que dispomos e os que nos forem facultados, fiscalizando a recolha e exigindo intervenções imediatas que ponham termo à existência de lixeiras a céu aberto em toda a Freguesia e que permitam a lavagem periódica das nossas ruas.
Assume grande importância na nossa Freguesia a análise de risco de funcionamento de indústrias e actividades poluentes, os seus efeitos na saúde da População e a implementação de medidas que conduzam à minimização desses mesmos efeitos, pelo que haverá que sensibilizar os agentes económicos em causa.
Na área do ensino, possuímos várias escolas suficientes para a população escolar existente, mas ao nível do pré-escolar continua a existir um défice: ao nível do 1.º ciclo, existem quatro escolas; para os 2.º e 3.º ciclos, há uma escola que – esperamos – virá brevemente a possuir melhores condições para todos, uma vez que se equaciona neste momento a sua requalificação e reconstrução em alvenaria e betão (escola em pavilhões pré-fabricados).
Em termos de saúde e segurança social, esta Freguesia está dotada de um Centro de Saúde, que responde às necessidades da População, sendo eventualmente necessário maximizar os seus serviços, um Centro Infantil e Centro de Dia para Idosos gerido pela Santa Casa de Misericórdia, que presta serviços inestimáveis à população e, ainda, de um Centro de Convívio para ocupação diária dos menos jovens.
Não obstante, entendemos que é fundamental a construção de um Lar de Terceira Idade e a disponibilização de diversos serviços de apoio aos mais Idosos.
Acresce que entendemos ser necessária a edificação e reconstrução do parque habitacional da Freguesia, quer através da aquisição e desafectação de terrenos aptos para a construção quer através da identificação dos edifícios devolutos e em estado de degradação na área da Freguesia, o que permitirá implementar medidas para a sua recuperação.
Temos procurado soluções conjuntas, que envolvam a autarquia e os interessados, privados e públicos, promovendo acções que possibilitem a sensibilização e envolvimento de todos para a necessidade de travar o envelhecimento da população e repovoar a Freguesia, criando soluções para que os mais jovens, aqui nados, se possam sediar na sua terra.
Ao nível dos transportes e das acessibilidades, são necessárias soluções imediatas para a diminuição do risco e perigosidade da circulação de ligeiros e pesados na E.N. 377 e, a longo prazo, a conclusão e execução da variante do Nó de Pêra. Alternativamente, entendemos que seria viável o transporte de cereais, hoje transportados em veículos pesados, por via marítima, como inicialmente projectado.
São aindas nossas preocupações a racionalização do tráfego automóvel ou estudo de medidas que visem a racionalização do tráfego automóvel na Vila e na Freguesia e a melhoria dos acessos e transportes rodoviários em determinadas localidades, nomeadamente em localidades como Pêra onde, em pleno séc. XXI, ainda não chega o transporte público.
Em termos de movimento associativo (desporto e cultura), são dez as colectividades e associações em funcionamento: Clube de Futebol da Trafaria, Casa do Benfica, Sporting Clube da Corvina, Flechas do Picagalo, Grupo Desportivo Acadêmicos de Pêra, Grupo Desportivo Pescadores do Segundo Torrão, Recreios Desportivos da Trafaria, Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, Clube Columbófilo da Trafaria e Sociedade Recreativa Musical Trafariense.
Das Associações e Colectividades referenciadas, merece especial relevo a Sociedade Recreativa Musical Trafariense, colectividade ao serviço da Cultura e da Comunidade há 107 anos, fundada em 1900. Para além da sua banda filarmónica de prestígio reconhecido, nas suas instalações funciona actualmente uma Escola de Música de superior qualidade. Não é por mero acaso que em 1905, data da vinda do rei D. Carlos à Trafaria para inauguração do novo quartel, este monarca lhe atribuiu o título de Real Sociedade Recreativa Trafariense, título este que se usou orgulhosamente até à implementação da República.
Para os mais jovens encontra-se em fase de execução e obra um projecto de Centro de Juventude, espaço polivalente onde se pretende, para além do acesso à comunicação multimédia, a construção de um espaço de ludoteca e biblioteca e de encaminhamento destes para o mercado de trabalho.
Existem na Freguesia alguns equipamentos destinados à prática do desporto e lazer, nomeadamente um pavilhão sediado numa das escolas, um polidesportivo descoberto, um ringue e um circuito de manutenção.
Ao nível do ordenamento do território, são várias as carências desta Freguesia, pelo que se encontra em curso um Estudo de Enquadramento Estratégico, da responsabilidade do Município de Almada, em que se pretende a requalificação e valorização de toda a Freguesia, nomeadamente de territórios descurados e que urge ordenar (v. g. Torrão e Segundo Torrão, Cova do Vapor e Abas da Raposeira).
Grandes são os desígnios para esta Freguesia que deverá ser olhada com “olhos de amar” e que possui condições naturais, ambientais e climatéricas que deverão ser potenciadas para o turismo, o lazer e o recreio.

Francisca Parreira
18 de Maio de 2007