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A freguesia da Trafaria, pertencente ao concelho de Almada e ao distrito de Setúbal, surge na margem esquerda do rio Tejo, entre o Bico da Calha (extremo ocidente) e o Portinho da Costa, localidade onde as fragatas da Marinha Portuguesa atracam para limpar os porões.
Com uma área de 5,83 quilómetros quadrados, as principais actividades económicas correspondem aos serviços, ao comércio e à pesca, único meio de subsistência de muitos agregados familiares desta freguesia.

A vila encerra em si própria um mundo de encantos, histórias, lendas e poemas sublimados por Raul Brandão, Ramalho Ortigão, Bulhão Pato, entre outros. Um desses legados foi dado pela escrita do poeta António Gedeão:

Para além de Trafaria


Minha mãe, haverá mundo
para além da Trafaria?

Não sei, meu filho. Não sei.
Tudo aquilo que sabia
já no meu sangue te dei.

Que serras são estas, mãe,
que não nos deixam ver nada?

São rugas que a Terra tem.
Não maces a tua mãe.
Deixa-me estar descansada.

Ó mãe, que rio é aquele?
Onde nasce e onde morre?

Ó filho, é Deus que o impele.
Entretém-te a olhar para ele.
É um rio. Tem água. Corre.

Quando eu for crescido, mãe,
quero saber e entender.

Ó filho, o supremo bem
é cada qual, com o que tem,
resignar-se e agradecer.
Deus faz tudo pelo melhor.
Não se engana nem se esquece.
De todo o mal, o maior,
seria sempre pior
se Deus assim o quisesse.
Ninguém foge ao seu destino.
Está tudo determinado.
Não penses com desatino.
Dorme, dorme, meu menino,
Um soninho descansado.