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Chelas Barreiro / A terceira travessia do Tejo e as negociações com a APL


No passado dia 4 de abril de 2008, fomos confrontados com uma notícia publicada no Jornal o “Público” na sequência da conclusão do estudo pelo LNEC sobre a terceira travessia do Tejo em Lisboa.
Realce-se o facto de o LNEC aconselhar que as medidas negociadas com a APL para minimizar os impactos que a referida travessia terá na actividade portuária sejam criteriosamente analisadas, tanto as medidas como os respectivos custos associados.

Compreendemos que as medidas minimizadoras que têm vindo a ser negociadas com a APL pretendam não colocar em causa a actividade portuária, tão importante para o País, já não compreendemos que as contrapartidas anunciadas e pedidas pela Apl (nas declarações prestadas pelo Comandante dos pilotos de barra Correia Marques) passem pela deslocação do terminal de granéis líquidos para 450 metros a jusante, na margem sul, uma vez que tais medidas poderão vir a pôr em causa a qualidade de vida de toda uma População.

Não desconhecemos os projectos da APL para a área poente do Concelho de Almada e em especial as sua pretensões para a Freguesia da Trafaria e não desvalorizando a necessidade de progresso e da concretização de determinados projectos estruturantes e decisivos para o País entendemos que o mesmo não se pode fazer esquecendo as populações e os pequenos territórios que desse mesmo País fazem parte.
Queremos desenvolvimento sustentado para a Freguesia e desenvolvimento que se enquadre naquilo que este território tem de melhor, uma frente ribeirinha de excelência, com recursos naturais inigualáveis, não esquecendo que esta Terra é acima de tudo uma Vila piscatória, com as potencialidades que tem o estuário do Tejo para o lazer e recreio, e não um território para grandes desígnios industriais.

Atentos a todo este processo, e ao desenvolvimento do Estudo Estratégico e de Desenvolvimento da Administração do Porto de Lisboa a Junta de Freguesia da Trafaria não se quederá perante a possibilidade da instalação de um terminal de contentores no estuário do Tejo em território da Freguesia.
Chegou o momento de “chamar as coisas pelos nomes” e de afirmar, como o fizemos em outros momentos, que as soluções que não servem a Freguesia da Trafaria não servem os autarcas que estão à frente dessa mesma Freguesia.

Entendemos que o incremento da actividade portuária tem que passar por outras soluções que não a escolha de territórios tão característicos como o da Trafaria. Outros sim, necessitamos que o Estudo de Enquadramento Estratégico da Costa da Trafaria, que peca por tardio, avance em toda a sua plenitude. Deixar um território sem soluções e sem visão estratégica é permitir que outros interesses se instalem.
Assumir outra posição será penhorar o desenvolvimento e progresso da Trafaria, não tendo sido esta a postura assumida pelos órgãos autárquicos e pelas organizações locais e de cidadãos.
Sabemos que aqueles que têm o poder de decisão levarão estas considerações em conta e não as levando lutaremos pelo futuro e o destino das nossas Gentes e da nossa Terra.

A Presidente da Junta de Freguesia da Trafaria